sábado, 27 de novembro de 2010

The hard knock life

"'Steada treated, we get tricked!
'Steada kisses, we get kicked!"
-- Annie and the orphans, It's the hard-knock
life
Hoje eu fui comprar coisas para o Samuel.

A missão foi um pouco difícil, porque eu não conheço o Samuel.

* * *

Quando eu tinha 12 anos queria aprender latim. E grego. Culpa do meu professor de História, que era meu maior herói.

Eu também queria ter uma jaqueta (de pelo) da Fruto Verde. E um tênis Nike.

Mas minha mãe só comprava Popi.

* * *

O Samuel tem 12 anos, veste 16 e calça 38. Não achei tênis para ele nas lojas infantis, fui a uma loja de adulto.

Comprei também uma camiseta verde. Mas temendo que ele seja corintiano.

* * *

Quando eu tinha 12 anos escrevia um diário. A capa do meu diário foi decorada em alguma tarde na casa da Roberta, em um estilo criado em conjunto que mais tarde ficou conhecido (entre nós duas) como "furacão de cabeças".

Tinha um Bart Simpson e um Axl Rose. Mas eu nem gostava de Guns.

* * *

Tenho que comprar um brinquedo para o Samuel. A Veruska me disse no e-mail que ele tem "muitos irmãos menores" e que às vezes "tem que se responsabilizar por eles".

Não entendi muito bem. Comprei um jogo de tabuleiro. Imagem & Ação. Ele pode desenhar *and* distrair os irmãos menores brincando com eles.

* * *

Quando eu tinha 12 anos queria ser arqueóloga. Culpa vocês já sabem de quem.

Até que minha mãe me disse que minha vida *não* ia ser igual à do Indiana Jones.

Aí eu quis ser professora, acho.

E eu fui.

* * *

Falta só um livro para completar meu pacote para o Samuel.

Queria comprar "Raul da Ferrugem Azul", da Ana Maria Machado, mas não sei se está esgotado.

Eu li "Raul" pela primeira vez aos 8 ou 9 anos. Mas continuo lendo esse livro até hoje, mesmo sem tê-lo aqui em casa.

Porque ele me diz, de uma forma colorida e bem disfarçada, tão disfarçada que levei 23 anos para decifrar: a vida é dura. Faça a coisa certa.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Eu sou neguinha?

Meu cabelo sempre foi loiro e liso. Aí eu queria fazer uma permanente (não riam, eram os anos 80) e/ou cortar bem curto.

Mas meu cabelo, vejam bem, era incortável. Pelo menos na opinião geral. Porque era liso e loiro.

"Pra que vai cortar um cabelo tão bom, tão bonito?", me diziam.

Eu cortei meu cabelo com 21 ou 22 anos e nunca mais deixei crescer.

* * *

Um dia perguntei pro meu primo Roni, que desde muito antes de eu conseguir cortar meu cabelo usa a cabeça raspada, por que ele não deixava o cabelo crescer.

Ele riu e me disse: "cabelo de preto é ruim. Tem que raspar".




terça-feira, 23 de novembro de 2010

É de comer?

Pronto, já é Natal. Tempo das espetaculares pirâmides de panetone nos hipermercados, de gastar uma hora e meia para atravessar o Ibirapuera e de tirar os reis magos do armário e botá-los para levar ouro, incenso e mirra para o Menino Jesus do presépio.

Ouro e incenso, ok. Mas mirra?

Mirra, como todos sabem, ninguém sabe o que é.

(Nem a Virgem Mandy).

Muito provavelmente porque o ouro e o incenso vieram em caixinhas e palitos, mas a mirra veio num daqueles saquinhos de ketchup e até hoje ninguém conseguiu abrir.




-- Dedicado à Carocha

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não seja

Todo mundo que fala "sem querer ser chato" é porque, logo na sequência, vai ser.

--- (~) FIM (~) ---

As rampas do planeta

Quando eu era pequena, minha mãe ouvia um LP da Gal chamado "Profana".

Tinha uma capa preta, com a cara bem de perto de uma Gal bem branca, com batom vermelho. Meio vampiresca. Eu podia olhar no Google e confirmar. Mas na minha cabeça era assim.

Eu gostava da música "Vaca Profana". Porque eu fazia imagens (loucas) das coisas (loucas) de que a letra falava, sem saber muito bem onde ficava Tel Aviv ou quem era Thelonious Monk. Mas eu literalmente viajava com aquilo.

Além de tudo, ela falava tetas. Era meio que um prazer clandestino, um semipalavrão.

Mas o que eu mais me lembro é que eu pensava que a Gal falava das "rampas do planeta", não das "Ramblas do planeta". Só fui descobrir quando fui a Barcelona. Com mais de 25 anos.

E o lance da orchata de chufa descobri ano passado.

Não que faça muita diferença, no fim, eu acho.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Levanta, defunto

"I felt so much love this mornin'"

-- Joe Jeffrey Group, My Pledge of Love

Joe Jeffrey Group: me ajudando a levantar da cama desde 1995 (quando eu ouvia Alpha Memory).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tem dias

Às vezes, eu telefono para alguém esperando que caia na caixa postal ou na secretária eletrônica. E me desaponto quando a pessoa atende.

Às vezes eu ainda falo "alô? Ué! Mas você não devia não estar aí?". Aí me sinto culpada.

E, se a pessoa não atende mesmo, às vezes eu contorno a minha própria culpa antecipada deixando um recado besta, do tipo “olha, eu vou tentar te ligar de novo, mas se eu não conseguir, bom, me liga quando você puder”.

Eu não presto.