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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Parem de perguntar

Hoje o dia está difícil. Dr. Getúlio morreu e o despertador estava programado para as 7h10. Acordei antes dele tocar, olhei a escuridão do quarto e pensei "ainda tenho umas boas três horas aí".

10 minutos depois, o despertador tocou.

* * *

Até ontem, eu era a única pessoa a estar lendo Agosto, do Rubem Fonseca, depois nos anos 2000.

O bem não triunfa no final. Mas o comissário Pádua é a gênese do Capitão Nascimento.

* * *

Amanhã Kate vai pra galere. Real. O hit do momento é o Kate Middleton For The Win.

sábado, 27 de novembro de 2010

The hard knock life

"'Steada treated, we get tricked!
'Steada kisses, we get kicked!"
-- Annie and the orphans, It's the hard-knock
life
Hoje eu fui comprar coisas para o Samuel.

A missão foi um pouco difícil, porque eu não conheço o Samuel.

* * *

Quando eu tinha 12 anos queria aprender latim. E grego. Culpa do meu professor de História, que era meu maior herói.

Eu também queria ter uma jaqueta (de pelo) da Fruto Verde. E um tênis Nike.

Mas minha mãe só comprava Popi.

* * *

O Samuel tem 12 anos, veste 16 e calça 38. Não achei tênis para ele nas lojas infantis, fui a uma loja de adulto.

Comprei também uma camiseta verde. Mas temendo que ele seja corintiano.

* * *

Quando eu tinha 12 anos escrevia um diário. A capa do meu diário foi decorada em alguma tarde na casa da Roberta, em um estilo criado em conjunto que mais tarde ficou conhecido (entre nós duas) como "furacão de cabeças".

Tinha um Bart Simpson e um Axl Rose. Mas eu nem gostava de Guns.

* * *

Tenho que comprar um brinquedo para o Samuel. A Veruska me disse no e-mail que ele tem "muitos irmãos menores" e que às vezes "tem que se responsabilizar por eles".

Não entendi muito bem. Comprei um jogo de tabuleiro. Imagem & Ação. Ele pode desenhar *and* distrair os irmãos menores brincando com eles.

* * *

Quando eu tinha 12 anos queria ser arqueóloga. Culpa vocês já sabem de quem.

Até que minha mãe me disse que minha vida *não* ia ser igual à do Indiana Jones.

Aí eu quis ser professora, acho.

E eu fui.

* * *

Falta só um livro para completar meu pacote para o Samuel.

Queria comprar "Raul da Ferrugem Azul", da Ana Maria Machado, mas não sei se está esgotado.

Eu li "Raul" pela primeira vez aos 8 ou 9 anos. Mas continuo lendo esse livro até hoje, mesmo sem tê-lo aqui em casa.

Porque ele me diz, de uma forma colorida e bem disfarçada, tão disfarçada que levei 23 anos para decifrar: a vida é dura. Faça a coisa certa.


sábado, 26 de junho de 2010

...

O espelho da penteadeira do meu quarto tem uma leve deformação. Daquelas que esticam ou achatam o reflexo, como naquelas casas de espelhos de parques de diversão antigos.

E aí eu notei que tem um ângulo específico na penteadeira em que eu fico a cara do Matt Damon.



É realmente impressionante.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mine've been like Verlaine's and Rimbaud

Então, ao que eu entendi, um poeta casado de 27 anos caiu de amores por um enfant terrible, não menos talentoso, de 17. E o século em vigor ainda era o 19. Muitos números.

Chamou o menino para morar na casa dele, e não nos admiremos que a esposa não curtiu.

Ele vivia de versos e absinto e da obsessão pelo enfant, e a mulher, que absolutamente não tinha nada a ver *com* nem como lutar *contra* aqueles olhos azuis e aquele cabelo em irresistível desalinho, se encheu.

O poeta mais velho foi para Londres com o menino, também poeta e não menos terrible, a tiracolo. Uma vida de pobreza em Camden e dias na Biblioteca Nacional para não passar frio.

Quando o menino decidiu ir embora, o mais velho foi na estação de trem. Deu basfond e atirou.

Foi preso, se converteu ao catolicismo, a mulher já tinha dado linha na pipa.

O menino virou traficante de armas.

E os dois viraram versos de uma música linda do Bob Dylan.

(Mas que eu conheci pela Madeleine Peyroux, porque eu quase sempre conheço as versões pelo lado torto).

E o referido é verdade e dou fé.

Mas com essa cara até eu, né, Yolanda?