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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Enquanto o mundo cai

"But passion most dissembles, yet betrays
Even by its darkness; as the blackest sky
Foretells the heaviest tempest"
-- Lord Byron, em "Don Juan"

Quando eu tinha 8 anos, assisti "Labirinto - A Magia do Tempo" e fiquei apaixonada pelo David Bowie, mesmo sem saber quem era o David Bowie.

Muito magnético, ele como Rei dos Duendes.

Depois, apareceu em casa uma fita K7 intitulada "Românticas (com eco)". Não sei onde meus pais arrumavam essas coisas.

A primeira música era "As the World Falls Down". Com eco, naturalmente.

Eu ficava ouvindo, rebobinando e ouvindo de novo, sem parar. Descobri que se jogasse a equalização para um caixa só, mesmo sem saber o que era equalização, a música ficava melhor.

E imaginava cenas das quais eu adoraria me lembrar melhor. Mas acho que envolviam o Rei dos Duendes ou o Peixinho, o menino mais bonito da escola; corridas em câmera lenta por campinas verdejantes e um castelo. Tudo na contraluz.

* * *

Quando eu tinha 3 anos, minha mãe me levou ao teatro para assistir a uma montagem da fábula "A Cigarra e a Formiga".

Eu fiquei apaixonada pela Cigarra.

Quando ela morreu, eu chorei. E não parei mais.

Não adiantou nada minha mãe explicar que a Cigarra não tinha morrido, que era só faz-de-conta e o moço estava vivo lá atrás do palco.

Ela me levou às coxias para provar que estava falando a verdade. Aí eu vi que o moço estava vivo mesmo, ele sorriu e fez festinha na minha bochecha e falou "tá tudo bem, viu?".

Mas ele não era a Cigarra. Era só um impostor com as roupas dela.

Ela tinha morrido mesmo.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Levanta, defunto

"I felt so much love this mornin'"

-- Joe Jeffrey Group, My Pledge of Love

Joe Jeffrey Group: me ajudando a levantar da cama desde 1995 (quando eu ouvia Alpha Memory).

sábado, 9 de outubro de 2010

Como se fosse 95

Um dia eu acordei e me senti em 1995.

Não é que eu me lembrei por um instante de como era estar no terceiro ano colegial. Ter 17 anos e 43 quilos. Precisar de um emprego. E de pernas mais grossas. Ser apaixonada por um garoto que não queria namorar comigo. Achar Pulp Fiction o melhor filme da história. Namorar garotos que eu não queria tanto namorar. Ter a vida toda pela frente, mas achar que o mundo ia acabar se a minha mãe não me deixasse sair naquele sábado. Arranjar novos amigos. Viajar com eles. I can't stop loving you. Take me out tonight. Fumar cigarro de cravo. Ver a Roberta todo dia. Acordar ouvindo músicas dos anos 60. Passar delineador às 6h30 da manhã. Entrar em uma sala luminosa às 7h30, meio atrasada e procurando o menino de rabo de olho. Escrever artigos para o jornal da escola. O cheiro do anfiteatro. O fusca da Rose, que levava a gente para fazer as reportagens do jornal. O fichário encapado com contact, uma foto PB da Marilyn de um lado, uma propaganda de cigarro do outro. Dormir à tarde. Acordar e assistir Cavaleiros do Zodíaco. Minha mãe meio longe. Uma irmã meio nova. Estudar Física, Química e Biologia. Querer ser diferente. Rezar para ser igual.

Não. Nada disso.

Um dia eu simplesmente acordei como se fosse 1995. E eu fosse a menina de 17 anos, 43 quilos etc e tal.

domingo, 26 de setembro de 2010

Info/Photos/Cities Visited

Tenho sonhado com coisas malucas.

Tudo bem. Estranho é sonhar com coisas normais.

Noite passada, pessoas mortas sacudiam elevadores antigos e a Ana Maria Braga pilotava um avião. Ela foi me buscar na praia (de avião) para eu fazer um exame do refluxo. Eu sabia que tinha de levar os famigerados exames anteriores, mas só encontrava uma das endoscopias -- e eu já fiz duas. Não tinha ideia de onde procurar a outra. E a Ana ficava lá, me esperando, com o avião na areia.

Noites antes, tivemos uma salva de palmas para minha vó, e uma pergunta tão cortante que não ouso descrever.

É como se eu estivesse a um fio.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um amor absoluto pelo homem que eu vi

Como eu vivi até hoje sem essa música?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

To follow my bliss

Eu disse a ele que não seria mais engraçada, porque homens gostam de meninas bonitas, não de meninas engraçadas.

Ele riu.

Quais as minhas chances?

***

Da correspondência diária:

"Eu tenho uma limitação terrível, da qual só me dei conta há pouco. Tendo a achar que, depois que a folhinha virou para 2000 e eu terminei a faculdade, nada de novo aconteceu. Talvez isso seja motivado por crescer achando que a vida se resumia a infância-adolescência-vida adulta. Então, depois do diploma, de um casamento e dos anos 00, eu já era adulta e nada mais podia acontecer.

Então vem a vida de verdade (não aquela que você imagina, divide, quantifica e classifica) e muda tudo."

Escrevi isso com toda sinceridade em uma ampla e carinhosa troca de emails motivada pelos 5 anos da ocasião em que lancei, com amigas queridas, um livro. E me lembrei de Joseph Campbell, um jedi da vida moderna, que disse, entre um milhão de outras coisas incríveis:

"Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. (...)

"Quando nos deixamos guiar pela felicidade, nos posicionamos num tipo de caminho que sempre esteve ali, à nossa espera, e vivemos exatamente a vida que deveríamos estar vivendo."

Joseph também disse que "mitologia é o nome que damos às religiões dos outros".

Acho que vou fundar a igreja Joseph Campbell é Amor.

segunda-feira, 10 de maio de 2010